O Metalúrgico #499



O que significa zero acidentes para a Usiminas? Péssimas condições de trabalho, dobras e pressão por mais produção, falta de equipamentos de segurança

Mais um desrespeito contra os trabalhadores se mostrou na semana passada, quando por meio dos diretores de várias plantas da usina, a Usiminas teve a cara de pau de comemorar e divulgar na intranet o que chamam de “zero acidentes” no ano de 2017.

Para a direção da usina, acidente zero significa não ocorrer acidente fatal e dessa forma a Usiminas tenta esconder que as péssimas condições de trabalho que provocaram a morte de mais de 50 trabalhadores nas últimas duas décadas continuam piorando a cada dia.

Acidentes, lesões, cortes, queimaduras, fraturas, problemas na coluna e nos braços, tudo provocado pelas condições de trabalho. Aonde está então o acidente zero?

No mesmo ano em que comemoram o tal acidente zero, vários companheiros nossos, sejam trabalhadores efetivos na Usiminascou nas empresas contratadas sofreram acidentes e tantos outros estão adoecendo vítimas do ritmo da produção e da falta de condições seguras para o trabalho.

Por tudo isso, podemos afirmar que NÃO É SÓ AÇO QUE USINAM, USINAM VIDAS 

A responsabilidade é da Usiminas

Para tentar fugir da responsabilidade, a direção da Usiminas comemora uma mentira e ao mesmo tempo tenta colocar nas costas dos trabalhadores a responsabilidade sobre a segurança nas áreas.

Quem deve garantir equipamentos de proteção coletiva e individual é a Usiminas, quem deve organizar o processo de produção protegendo a vida e a saúde dos trabalhadores é a empresa, mas não é isso acontece.

Todas as áreas de produção são como um pavio de pólvora: não há equipamento de proteção coletiva e os EPI’s estão usados demais e estragados e pra pegar novo tem que implorar e esperar meses pra chefia fornecer, escadarias quase desabando, tubulações vazando, falta de recurso para manutenção das máquinas e demais equipamentos, ou seja, tudo que pode levar a acidentes, doenças e mortes.

É na luta contra os ataques dos patrões que vamos proteger a nossa saúde e nossa vida

Contra os ataques aos direitos e o desrespeito a nossa saúde e às nossas vidas, o caminho segue sendo o percorrido por gerações de nossa classe que vieram antes de nós: nos unirmos e na luta defendermos nossos direitos.

Não adianta esperar que os patrões façam alguma coisa, é só nos colocando em movimento, lutando que vamos ter o que necessitamos.



Essa é a preocupação da Usiminas com a saúde dos trabalhadores: provoca a doença e depois manda buscarem tratamento

É isso que significa o Programa “Superar”, criado pela Usiminas. Os trabalhadores que estão com problemas na coluna, braços, pernas, entre outros provocados pelas condições de trabalho, quando passam pelo CSO, são encaminhados para fisioterapia, mas só podem fazer 28 sessões. E vale lembrar que a fisioterapia não resolve o problema da lesão. Ela é um paliativo para aliviar a dor que a doença causa e que é resultado das condições em que o trabalhador foi obrigado a trabalhar.

Depois dessas sessões de fisioterapia feita no CSO, o trabalhador mesmo continuando com o problema, recebe alta do tratamento, é colocado na mesma função e é orientado a procurar fisioterapia fora da usina.

Ou seja, a Usiminas tenta esconder o que causou a lesão, não melhora as condições de trabalho, não registra os acidentes e doenças provocados pelo trabalho e ainda joga nas costas do trabalhador a busca por tratamento.



Sobrecarga de trabalho cada vez maior para os operadores de ponte

Se a situação já era ruim, piorou depois das demissões em massa realizada pela Usiminas. Como exemplo, os operadores de ponte passam praticamente toda a jornada de trabalho enclausurados nos equipamentos, não há tempo nem de alongar o corpo e ir ao banheiro.

As chefias sabem disso e fecham os olhos, pois sua única preocupação é pressionar por mais produção. É isso que a Usiminas chama de acidente zero? Obrigar os trabalhadores a longas jornadas em condições cada vez piores de trabalho?

Na oficina de cilindros tem supervisor se achando o “cara”

O chefete é tão cara de pau que ao invés de ir atrás e garantir os equipamentos de segurança para as operações, fica berrando aos quatro cantos, que ele manda mais do que gerente e diretor da usina. Então já que está mandando tanto, vamos ver na hora que for denunciado também no Judiciário sobre negligência ao não garantir a devida segurança ao trabalhadores, se vai cantar de galo também.

Mais problemas com os ônibus

No transporte dos trabalhadores, tanto nos que operam no turno como no Adm, a situação é a mesma: ônibus sem manutenção, superlotados e quando chove é mais água dentro do que fora. Exemplo recente foi no ônibus ACI das 15 h e no ônibus do Adm que faz o trajeto para Ana Costa/Santos: quando chove é agua pra todo lado.



Amoi desrespeita direitos e tenta impedir mobilização dos trabalhadores

A Amoi ao invés de pagar o que deve e respeitar os direitos, tenta atrapalhar a mobilização dos trabalhadores que, juntos com o Sindicato, seguem firmes exigindo a reposição das perdas, aumento salarial e o respeito aos direitos no Acordo Coletivo de Trabalho.

Na semana passada, novamente os trabalhadores participaram da assembleia organizada pelo Sindicato na portaria da usina e ao ver que a revolta se amplia, a direção da Amoi reuniu os supervisores para aumentar a pressão e as ameaças contra os metalúrgicos.

Essa é a empresa que não paga o que deve, tenta impedir a mobilização e obriga os trabalhadores a realizar vária funções ao mesmo tempo.

Exemplo disso é o que Amoi faz com os motoristas de caminhão munck, obrigando a trabalharem sozinhos, dirigindo, puxando as patolas e organizando a carga.



Cartas do Zé Protesto

“Zé, na Enesa é um desrespeito atrás do outro: o plano de saúde agora é o mesmo que dos trabalhadores efetivos na Usiminas, só que a gente paga e na hora de ser atendido, nada. E a perseguição das chefias continua: é técnico de segurança, o paparazzo, tirando foto de trabalhador e um tal supervisor conhecido como “Thor” que grita e humilha os trabalhadores.”

- Os trabalhadores pagam e são impedidos de usar o convênio médico, são obrigados a trabalhar em péssimas condições de trabalho e o técnico de segurança não cumpre com suas responsabilidades e ainda tem chefe que se diverte em humilhar quem garante o lucro da empresa. Está mais do que na hora de ampliar a nossa mobilização, pois é assim que garantimos os direitos e baixamos a crista desses chefetes, lambe-botas dos patrões”.


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