O Metalúrgico #539



Não pagou o que deve nos salários, tenta mais um calote da PLR, quer meter a mão na Previdência e comemora lucros. Isso é a Usiminas

Logo depois de ter enfiado goela abaixo o reajuste de 1,69% (novamente só as perdas medidas pelo INPC), a direção da Usiminas divulgou seus resultados que mostram que os lucros crescem cada vez mais, arrochando os salários. Veja:


- As vendas de aço subiram 13%, de 977 mil toneladas no 2º trimestre, para mais de 1 milhão no 3º trimestre;


- O EBTIDA (lucro bruto) subiu 35%, de R$ 519 milhões do 2º trimestre para R$703 milhões no 3º trimestre. Esse resultado é um dos maiores desde 2010.


Um pouco antes da divulgação dos resultados, a direção da Usiminas para aumentar ainda mais a pressão por produção, divulgou os dados sobre o programa da PLR, que é completamente controlado e manipulado de acordo com os interesses dos acionistas. No informativo a direção da empresa pressiona por mais produção ameaçando não pagar a PLR.


Ou seja, a Usiminas aprofundou nossas perdas salariais, já prepara um novo calote na PLR, pressiona em todas as áreas por mais produção, exigindo que um trabalhador faça a função de três, é tudo isso que produz os dados que você viu acima. O aumento dos lucros não veio do nada, vieram do trabalho de cada trabalhador, que quanto mais trabalha e adoece, menos recebe de salário e mais lucro produz.


Só lamentar não adianta, é preciso lutar


O arrocho salarial e os ataques aos nossos direitos só vão aumentar se não tiver luta, pois abaixar a cabeça é tudo que a Usiminas quer para poder arrancar ainda mais de cada um.


Por isso está mais do que na hora de colocar a revolta em movimento e fortalecer a nossa mobilização.



A luta continua contra os ataques dos patrões e do futuro governo Bolsonaro aos nossos direitos

Bolsonaro já anunciou que pretende fazer a reforma da Previdência e ampliar a retirada de direitos trabalhistas. Contra tudo isso é preciso fortalecer a luta.


O resultado da eleição no Brasil não significa que os trabalhadores escolheram um indivíduo que odeia pobres, negros, homossexuais e quer acabar com os direitos trabalhistas. Mas foi esse o candidato eleito, sustentado na mentira e com o máximo de empenho dos patrões.


Durante a campanha eleitoral, nosso Sindicato, junto com a Intersindical e tantas outras Organizações e movimentos que lutam em defesa dos direitos, denunciamos que o objetivo de Bolsonaro não era fazer um governo de combate ao desemprego e a corrupção, e sim garantir os interesses dos empresários atacando direitos.


Exemplos disso não faltam: depois da eleição, a primeira reforma anunciada é a da Previdência e o que vem nela é o aumento da idade para aposentadoria e mais arrocho nos valores pagos, isso se conseguir se aposentar. O futuro governo de Bolsonaro pretende garantir mais condições para os patrões avançarem com sua reforma trabalhista. Ele falou isso com todas as palavras ao afirmar que está pronto para desregulamentar o mercado de trabalho.


A luta segue contra os ataques do futuro governo aos nossos direitos: nenhum governo nos deu nada, nossos direitos foram fruto da nossa luta.


Nosso Sindicato, junto com a Intersindical e em união com outras Organizações de luta fortaleceremos a resistência aos ataques desse governo que já se inicia escancarando que vai governar para os patrões.



A todo instante a Usiminas coloca a saúde e a vida dos trabalhadores em risco

Depois que a torre cair, não adianta lamentar


Seguimos firmes na luta por nenhum direito à menos, pois é só lutando que garatimos nossas conquistas. Já faz um ano que o Sindicato denunciou a situação da torre de Strau1 ao lado do tratamento de água da energia de utilidades na Aciaria, mas até agora nada feito. A situação só piora, a base da torre está totalmente podre, ou seja, a torre pode cair provocando um grave acidente. A supervisão sabe da gravidade da situação e nada faz. Essa é a prática da direção da Usiminas, sua preocupação é só com o lucro, colocando a saúde e a vida dos trabalhadores em risco.


Prioridade para a produção e segurança pra depois


No pátio de placas da Aciaria, depois de várias ocorrências com quedas de placas, foi criado um procedimento de segurança que só permite a movimentação de placas usando o eletroímã, após serem feitos os testes de bateria com acompanhamento do pessoal da manutenção logo no começo do turno, além dos testes obrigatórios do checklist. Funcionou assim durante um tempo, mas depois as regras mudaram.


Como o pessoal da manutenção tem que se deslocar do LTQ2 até o pátio da Aciaria, demorava para os testes começarem e isso segurava a produção. Então veio a ordem para os Operadores de Ponte operarem usando o eletroímã, mesmo sem a chegada da manutenção para o teste. Assim que a manutenção chega, o teste é feito.


A pergunta é: se é procedimento de segurança, por que mudou, cadê o rigor? De onde veio a ordem? Se durante a operação antes do teste uma placa cair e danificar um equipamento ou matar um trabalhador, quem será responsabilizado? Isso só mostra que a prioridade para a Usiminas é a produção e não a vida e segurança dos trabalhadores.


A direção do Sindicato não aceitará mais esse tipo de procedimento e, caso persista, tomará as medidas jurídicas e políticas necessárias.


E o acesso para as pontes está cada vez pior


O acesso dos operadores para a PR 365 no pátio de placas da Aciaria está caindo de podre, se desfazendo em ferrugem, colocando em risco os trabalhadores que têm que passar por ali para chegar até a ponte.


A gerência e a supervisão sabem disso e a única coisa que fazem quando recebem a denúncia é abrir e fechar Siasso, mentindo que o problema foi resolvido. Mas na realidade o perigo continua lá.



Sistema de avalição só serve pra direção da usina

O tal sistema de avaliação da Usiminas só serve para colocar mais pressão em cada trabalhador e assim aumentar os lucros dos acionistas.


Os critérios de avaliação ficam por conta das gerências e das supervisões e assim as chefias usam das pontuações baixas para perseguir os trabalhadores e pressionar por mais produção.



Zé Protesto

“Zé, olha o absurdo que aconteceu na última segunda-feira: na saída dos ônibus, uma trabalhadora gestante na Sapore e que teve que dobrar a jornada, estava no ônibus sentada num dos primeiros bancos e depois que o ônibus lotou, a fiscal falou para trabalhadora sair e pegar um taxi do lado de fora da portaria. E o que aconteceu depois? No lugar que ela estava sentada, quem sentou foi um supervisor.”

- É um desrespeito atrás do outro. Por que o tal supervisor não foi de táxi? Constranger os trabalhadores é mais uma forma de assédio e isso a gente tem que combater com muita luta. Vamos transformar a indignação contra mais esse desrespeito em mobilização.

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“Zé, na Usiminas de Cubatão, depois das demissões em massa, o que sobra é chefe pra tudo quanto é lado pressionando os trabalhadores.”

- É pra isso que servem as chefias na Usiminas, não estão nem aí com a sobrecarga de trabalho dos trabalhadores, com as dobras frequentes, o que querem é arrancar cada vez mais dos trabalhadores.

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“Zé, na oficina de cilindro do LTF, tem trabalhador fazendo três funções ao mesmo tempo.”

- E na hora que acontece um acidente por causa das péssimas condições de trabalho, as chefias ainda tentam responsabilizar os trabalhadores. Contra a pressão e o desrespeito das chefias, não tem outro caminho que não seja a nossa mobilização.

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