O Metalúrgico #696

22 de dezembro de 2022

Índice:

-Greve na AMOI garante avanços e a luta continua contra o arrocho salarial e as péssimas condições de trabalho;
-No dia 16 de dezembro em Ipatinga (MG) houve protesto nas portarias da Usiminas contra a morte provocada pelas péssimas condições de trabalho;
-Na Laminação à frio mais desrespeito e desvio de função;
-No porto o abandono é geral;
-AMOI quer controlar até as necessidades fisiológicas dos trabalhadores;
-Zé Protesto;



Greve na AMOI garante avanços e a luta continua contra o arrocho salarial e as péssimas condições de trabalho

Na semana passada, os trabalhadores na AMOI firmes com o Sindicato, foram para a greve contra a proposta rebaixada da direção da empresa em relação ao reajuste salarial, valor do Vale Alimentação e PLR.


A greve que começou no dia 15 se encerrou no dia 16, depois que os representantes da AMOI apresentaram uma proposta de aumentar o valor da PLR, mas em relação ao reajuste salarial mantiveram a proposta de pagar apenas o INPC.


Veja a proposta aprovada:

- Reajuste salarial de 6,46% ( apenas as perdas medidas pelo INPC)

- Vale-Alimentação de R$350,00

- PLR de R$ 800,00

- Manutenção de todas as cláusulas sociais no Acordo Coletivo de Trabalho


Os trabalhadores decidiram pela aprovação da proposta, mas a nossa luta segue para combater o arrocho salarial e as péssimas condições de trabalho.


Firmes com o Sindicato, os trabalhadores enfrentaram a pressão das chefias e da direção da empresa que queria enfiar goela abaixo sua primeira proposta e ameaçou quem fosse para o movimento. Os trabalhadores disseram NÃO para a chantagem da empresa, foram para a greve e assim mostraram que é só lutando que avançamos em nossas reivindicações.



No dia 16 de dezembro em Ipatinga (MG) houve protesto nas portarias da Usiminas contra a morte provocada pelas péssimas condições de trabalho

No dia 16 de dezembro, o Sindicato dos Metalúrgicos de Ipatinga junto com a Intersindical organizou protesto nas portarias da Usiminas contra mais um crime cometido pela usina e suas empreiteiras que impondo péssimas condições de trabalho arrancou a vida de mais um trabalhador. A manifestação contou com a participação de outros sindicatos e movimento sociais que se somam a nossa luta em defesa da saúde e da vida dos trabalhadores.


O acidente que aconteceu na área do gasômetro, após o vazamento de gás atingiu 15 trabalhadores que foram hospitalizados, 5 foram para UTI, um trabalhador morreu e outro ainda está sob cuidados intensivos.


A direção da usina segue escondendo as informações sobre o acidente para tentar fugir da sua responsabilidade nesse acidente que tirou a vida de mais um trabalhador.


Seguimos firmes juntos com nossos companheiros em Ipatinga exigindo punição da Usiminas e suas empreiteiras e exigindo condições seguras de trabalho que protejam a saúde e vida dos trabalhadores.



Na Laminação à frio mais desrespeito e desvio de função

A gerência mandou os operadores de Ponte limparem e pintarem as vigas caixão das Pontes Rolantes.


Veja o absurdo, além de impor desvio e acúmulo de função, a Usiminas segue colocando os trabalhadores em risco.


Mais riscos


O Sucatão criado pela Usiminas segue colocando a saúde e a vida dos trabalhadores em risco: com tantos equipamentos abandonados no tempo e a falta de poda das áreas de mata, o que mais se vê são criadouros de mosquitos próximos aos locais de trabalho e pernilongos pra tudo quanto é lado.



No porto o abandono é geral

No Porto, recentemente foi preciso chamar os bombeiros para recolherem um jacaré, é mole? Além disso, tem o risco de desabamento de várias estruturas e só depois de 6 anos com áreas em atividades suspensas, a direção da empresa encaminhou a demolição do que já não presta mais.


Mais riscos de acidentes no Porto: os trabalhadores que precisam ir até o lado do carboquímico têm que passar pela linha do trem pois quando chove não tem como passar pela rua. Já foram feitas várias reclamações e até agora o que a direção da usina fez foi mandar colocar uma bomba para puxar a água, mas como retiraram a energia das estruturas dessa área a bomba não funciona mais e os pontos de alagamento só aumentam. Já dissemos que é preciso fazer o aterramento dos pontos rebaixados da rua, mas nada da Usiminas se mexer para resolver.



AMOI quer controlar até as necessidades fisiológicas dos trabalhadores

É isso que um chefete está fazendo dentro da área, obrigando os trabalhadores a enviar mensagem pelo WhatsApp e informar a hora que foi e que retornou do banheiro. Isso é humilhação e assédio moral e lembrando a esse chefete que assédio é crime.


Usiminas e suas empreiteiras desrespeitam ainda mais os trabalhadores nas empresas terceirizadas: os trabalhadores nas empresas terceirizadas recebem os menores salários, são expostos a condições de trabalho que provocam mais acidentes e mortes e nos mínimos detalhes a Usiminas humilha ainda mais os trabalhadores nas terceirizadas. Exemplo disso é que o tal Kit de Natal está sendo entregue somente para os trabalhadores efetivos na Usiminas e nada para os trabalhadores nas terceiradas.


Para enfrentar tudo isso, o caminho é a luta do conjunto dos trabalhadores dentro da usina, dos que são efetivos na Usiminas e dos que estão nas empresas terceirizadas. É só na união e luta do conjunto da classe trabalhadora que enfrentamos os ataques dos patrões.



Zé Protesto

“Zé, a situação dos trabalhadores na G4S está cada vez pior: jornada de 12x36, e estão sendo obrigados a fazer mais de 4 funções ao mesmo tempo, além de ter que limpar os sanitários. Quem está na função de controlador também tem que fazer a função de vigilante, mas não recebe o mesmo salário. A jornada é intensa, são obrigados a entrar mais cedo e quase sempre sair mais tarde.”

- A situação é grave, humilhação e desrespeito à direitos básicos como até se alimentar durante a jornada. Um exemplo disso é a situação dos trabalhadores no monitoramento de toda Usina (CCOS). Lá a coisa é tão humilhante que os funcionários que já fazem uma jornada de trabalho 12x36, para fazer um simples lanche, tem que ir para o banheiro e lá fazer o lanche. E o pior: se for pego neste momento, são severamente punidos.

--

“Zé, a Sapore é um caso grave para Vigilância Sanitária. Estão misturando verduras que já estão quase apodrecendo, com verduras frescas. E tem mais: dias atrás, jogou vários sacos de carne moída que foram descongeladas além do necessário e tiverem que ir para o lixo.”


- É um desrespeito a dignidade humana, verdura estragada, carne desperdiçada, péssimas condições de trabalho e até na hora de comer os trabalhadores sofrem com mais desrespeito. Para enfrentar essa crueldade da Usiminas e suas terceirizadas é preciso uma luta do conjunto dos trabalhadores.

+ boletins