O Metalúrgico #486



A Gestão de Consequência da Usiminas na prática: mais pressão por produção, gambiarras em todas as áreas, ao invés de segurança

A cada semana se comprova na prática o que o Sindicato denunciou: o programa de “Gestão de Consequência” da Usiminas tem o único objetivo de ampliar a pressão das chefias por mais produção e, ao invés de garantir segurança, o que se espalha por todas as áreas são gambiarras que aumentam os riscos de graves acidentes.

Os riscos de acidentes aumentam com as gambiarras que se espalham para garantir mais produção

Vários chefes estão criando normas próprias, fazendo mudança nos layouts dos equipamentos, tudo com o objetivo de mostrar serviço para a direção da usina, aumentando a produção, colocando em risco a saúde dos trabalhadores.

É o que está acontecendo no Pátio de Placas da Aciaria. Retiraram a balança utilizada para pesar a placas com média de 30 toneladas de um local que era minimamente seguro, no leito 3 e tiveram a ideia de colocar a balança ao lado da máquina de escarfagem automática 01. Assim, criaram mais uma situação de grave risco de acidentes. A balança foi instalada sobre um piso que tem em baixo uma galeria sem que houvesse um estudo pra garantir que vai suportar o peso da balança com as placas. Além disso, no local existem tubulações e válvulas de gás, ou seja, mais riscos de um grave acidente caso ocorra alguma falha com a ponte-rolante durante as manobras.

E as chefias responsáveis pela área, vão pra cima dos operadores de ponte-rolante, dizendo que se der algo errado quem vai assumir a responsabilidade são os trabalhadores. Veja o absurdo: as chefias, com a conivência da direção da usina, fazem as gambiarras, pioram as condições de trabalho e querem responsabilizar os trabalhadores.



Dobras e antecipações voltaram a ser rotina na usina

A produção continua a todo vapor. Placas chegando e bobinas saindo nos navios, trens e caminhões. O lucro da Usiminas só aumentando, fruto do trabalho dos trabalhadores.

E para aumentar ainda mais a produção, as dobras e antecipações viraram novamente rotina na usina. Os trabalhadores são obrigados a entrarem antecipados e dobrarem em vários setores. E a condição de transporte para ir e voltar da usina está tão apertada igual a situação financeira dos trabalhadores, os táxis vão lotados com todo mundo espremido e o percurso feito para chegar até suas residências é gigantesco.

A “Gestão de Consequência” da Usiminas é isso 

Impor condições precárias de trabalho, obrigar a realizar atividades fora de procedimento e sem condições, e depois tentar responsabilizar o tra-balhador que foi obrigado pela própria chefia, a fazer a operação.

Denúncia produz efeito

Após a denúncia feita pelo Sindicato, o bebedouro que fica perto da rampa do LTQ 2 foi regularizado. Estamos atentos, vamos continuar a denunciar e principalmente ampliar a nossa mobilização exigindo melhores condições de trabalho.

Nas terceirizadas não é diferente

Dias atrás, um “cachimbo” do transporte na Usiminas mandou um trabalhador contratado pela Veolia subir num container para fazer limpeza e manutenção.

O trabalhador, com medo de recusar, subiu e estava executando o trabalho quando um cipeiro passou e falou para ele descer.

Mas o que fez a Usiminas depois disso? Protegeu o gerente do transporte que demitiu o trabalhador que estava limpando o container a mando do “cachimbo” que covardemente não assumiu que deu a ordem para o trabalhador executar o trabalho.


Então está mais do que na hora de DIZER NÃO E REJEITAR A REALIZAR ESSAS ATIVIDADES. É ilusão achar que fazer as atividades fora dos procedimentos e sem as condições necessárias porque o chefe está mandando vai preservar seu emprego, pois quando a bomba estoura, a chefia se esconde e quem se lasca é o trabalhador.



Juntos com seu sindicato, trabalhadores na Unilever, em Vinhedo, estão na luta contra a terceirização

A direção da Unilever anunciou no final do mês passado, sua intenção de demitir mais de 150 trabalhadores na fábrica de Vinhedo.

O objetivo da Unilever ao tentar massacrar os empregos é reestruturar seu processo de produção, demitindo os trabalhadores efetivos e ampliar a terceirização começando pela logística, chegando ao conjunto da produção.

Isso significa demitir em massa os trabalhadores efetivos na empresa e depois através das empresas terceirizadas gastar ainda menos com salários, pois é isso que significa a terceirização: rebaixar direitos e salários.

A empresa que se gaba com seus produtos de limpeza, quer fazer a sujeira de arrancar empregos, salários e direitos

A Unilever se gaba em dizer que sete entre dez casas no mundo tem algum de seus produtos, é dona de mais de 400 marcas e segue adquirindo novas fábricas no ramo de higiene e alimentação, tanto no Brasil como em outros países. Aqui no Brasil as mais famosas, são OMO, DOVE, HELMANN’S, KNOR, AXE, entre outras.

A luta dos trabalhadores na Unilever é do conjunto da classe trabalhadora

O que está acontecendo na Unilever é o que os patrões querem fazer em todos os lugares. Conseguiram em Brasília através do governo Temer/PMDB e da maioria dos deputados e senadores liberar geral a terceirização, ampliar os contratos temporários e com a reforma trabalhista tentam massacrar os direitos.

Os trabalhadores, juntos com o Sindicato, iniciaram a greve no dia 29 de setembro e a Unilever para tentar a todo custo retomar a produção, mais uma vez se utilizou da repressão do Estado, através da Polícia Militar para tentar acabar com o movimento. Mas a luta não acabou. A mobilização continua e ser solidário a luta dos trabalhadores na Unilever em Vinhedo(SP), é se somar a luta contra os ataques dos patrões e de seu governo aos direitos, salários e empregos. Pois é no fortalecimento da luta do conjunto da classe trabalhadora que vamos conseguir barrar esses ataques.



O transporte rodoviário da Usiminas continua um caos

A Usiminas depois do facão que colocou milhares no olho da rua, reduziu não só o número dos ônibus, mas piorou ainda mais

a qualidade, colocando em risco a vida dos trabalhadores durante o percurso até a usina. E no final de semana a coisa fica ainda pior, porque se o número já é reduzido durante a semana, nos sábados e domingos é ainda menor.

O problema já começa na espera, os motoristas são obrigados a fazer percursos cada vez maiores e assim os trabalhadores ficam um tempão esperando a condução. E se algum problema acontecer no final de semana ou feriado, não tem ninguém responsável por esse setor pra resolver e quem paga o pato, são os trabalhadores.

Exemplo disso é o que aconteceu no último sábado (14/10), no turno das 7 horas. Quando os ônibus estavam chegando, se depararam com uma carreta quebrada e cheia de bobinas atravessada no viaduto, o que travou todo o trânsito. Como era final de semana, não tinha ninguém responsável nem para sinalizar e a orientação que deram para os motoristas foi saírem de ré para pegar o acesso para outra portaria. Ou seja, é uma gambiarra atrás da outra, que só coloca a vida dos trabalhadores em risco.

E AINDA SOBRE OS ÔNIBUS - Também no turno das 7h, um dos ônibus, tinha uma poltrona que estava amarrada com fita por baixo e se soltou durante a viagem. Era um ônibus reserva, porque o ônibus da linha também estava quebrado. A Breda seguindo a cartilha da Usiminas, ao invés de regularizar a situação do ônibus, deu uma advertência ao motorista. Esse é mais um exemplo do que faz a Usiminas e suas terceirizadas, tentam responsabilizar os trabalhadores que são vítimas das péssimas condições de trabalho.



Cartas do Zé Protesto

“Zé, a Usiminas segue dando calote nos adicionais. Os trabalhadores da manutenção do turno da Laminação à frio que atendem as áreas de recozimento não estão recebendo o devido adicional de insalubridade.”

- E vejam que a oficina da manutenção fica bem no centro, entre o recozimento e a sala de mistura, assim os trabalhadores ficam expostos a concentração de calor e dos gases tóxicos.

“Zé, os chefinhos que estão agora na Oficina de Cilindros 2, estão tocando o terror,obrigando os trabalhadores a exercerem as funções de 3 e ficarem sem almoço”.

- São os lambe-botas da Usiminas que estão espalhados por todas as áreas, que pressionam os trabalhadores por mais produção, impõem péssimas condições de trabalho e depois tentam se esconder. Para enfrentar a pressão das chefias que aumentam a cada dia, o caminho é continuar denunciando e participando das atividades chamadas pelo Sindicato.



Vamos continuar a denunciar os problemas nos locais de trabalho

Após as denúncias do Sindicato, a Usiminas mandou pintar as faixas de segurança em frente ao Porto, mas tanto lá como em outros locais, as faixas já estão apagando. Então é preciso garantir a devida manutenção.

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