O Metalúrgico #507



A crise está no bolso do trabalhador. Já a Usiminas vai muito bem, lucrando cada vez mais

A taxação do aço importado feito pelo governo do EUA, é mais uma medida para os capitalistas aumentarem a concorrência entre si e a exploração contra os trabalhadores.

Na semana passada a imprensa publicou várias notícias falando da medida do governo americano que taxa em 25% o aço importado que chega aos EUA.

As siderúrgicas instaladas no país se aproveitam disso para tentar avançar nos ataques contra o emprego e os salários dos trabalhadores: tentam esconder que a medida do governo americano é mais uma ação do Estado para garantir a concorrência entre as indústrias, ou seja, não é pagando menos ou mais impostos que está a fonte determinante de seus lucros, a real fonte de lucro está no aumento da exploração contra os trabalhadores pagando salários cada vez menores e retirando direitos.

Alguns sindicatos e centrais sindicais divulgaram um documento em que criticam a medida do governo americano, defendem as siderúrgicas instaladas no país e não denunciam o que as empresas fazem no dia a dia contra os trabalhadores: arrocho salarial, a retirada de direitos e a piora das condições de trabalho.

Nosso Sindicato, como o Sindicato dos Metalúrgicos de Ipatinga(MG) e a Intersindical não assinaram esse documento, pois a tarefa das Organizações dos trabalhadores é organizar a luta contra as ações dos patrões em qualquer empresa capitalista e de seus governos que buscam sempre mais formas de ampliar a exploração contra o conjunto da classe trabalhadora.



Enquanto arrocha ainda mais os salários e piora as condições de trabalho, a Usiminas amplia seus negócios

A Usiminas divulgou um comunicado em que diz que a medida dos EUA não afeta seus negócios. No comunicado, a direção da usina afirma que suas exportações para os EUA no ano de 2017 foram de apenas 4% e que no último trimestre do mesmo ano de apenas 1%. Além disso, ampliaram suas exportações para Europa e América Latina.

Entre os clientes da Usiminas estão grandes indústrias como Volkswagen, Fiat, Iochpe-Maxion, Maxion Weels,WEG, John Deere, Benteler entre dezenas de outras empresas.

Esse é mais um exemplo de que as demissões, o calote nas perdas salariais, o desrespeito aos direitos feitos pelas Usiminas é receita principal dos patrões para aumentar seus lucros.



A Campanha Salarial vai começar. É hora de colocarmos a revolta em movimento para garantir reposição das perdas e aumento salarial

A assembleia para aprovar a pauta de reivindicação começa no dia 20 no turno do zero hora

A Campanha Salarial desse ano vai discutir as cláusulas econômicas, pois os demais direitos, as cláusulas sociais que estão no Acordo Coletivo de Trabalho foram renovadas até 2019. Na próxima semana tem assembleia para aprovação da nossa pauta, a votação será secreta e vai acontecer na portaria da usina em todos os turnos. Vamos juntos aprovar nossa pauta de reivindicação e fortalecer a mobilização.

  • Dia 20 de março (terça-feira) 22h - Turno do Zero hora
  • Dia 21 de março (quarta-feira) 06h - Turno das 7h
  • Dia 21 de março (quarta-feira) 07h - Adm
  • Dia 21 de março (quarta-feira) 14h - Turno das 15h



Lucros cada vez maiores, ritmo alucinante da produção, mais pressão em cada trabalhador: isso é a Usiminas

- O lucro bruto da Usiminas apresentou um aumento de 235,72% no período de 2016/2017.

- O lucro operacional teve um aumento de 100,27%, no mesmo período.

- O lucro líquido teve um aumento de 45,40% no mesmo período.

- O volume de vendas apresentou um aumento de quase 30% considerando o período de 2016/ 2017.

- As ações da Usiminas tiveram aumento de mais de 30% no período 2016/2017.

Isso tudo aumentando a pressão, obrigando os trabalhadores a fazer o serviço de mais 3, num ritmo alucinante de produção, além aumentar o arrocho nos salários, abocanhando até as perdas acumuladas.



Condições de trabalho que colocam em risco a vida dos trabalhadores

Daqui a pouco até chaminé vai cair

A manutenção preventiva é cada vez mais precária, os equipamentos estão sucateados, a direção da usina sabe disso e nada faz, ao não ser exigir mais produção dos trabalhadores.

Exemplo dessa situação é como está sendo realizado o controle de desgaste das bases de sustentação de uma das principais chaminés da usina que fica próxima da Aciaria.

Da forma como está, a chaminé pode tombar a qualquer momento provocando um grave acidente, ou seja, não há controle do desgaste dos equipamentos e muito menos investimento na segurança coletiva dos trabalhadores.

A tal patrulha de segurança da Usiminas, significa manter as péssimas condições de trabalho e pressionar os trabalhadores

Toda semana os diretores da usina, gerentes, supervisores, RH, técnicos de segurança e área médica realizam a tal da patrulha de segurança, mas que na realidade só tem por objetivo vigiar e pressionar os trabalhadores. A patrulha busca bitucas de cigarro, copos descartáveis fora do latão de lixo. Mas cadê a preocupação em garantir proteção coletiva aos trabalhadores? Não existe. Nem os EPI’S que estão um pior do que outro são trocados e situação das áreas de produção é cada vez pior. Quando o telhado não está prestes a cair, está parecendo uma floresta, pois é mato que não para de crescer.



Zé Protesto

“Zé, no laminador de encruamento, o “Cachimbo”, responsável por muitas demissões na usina, continua prejudicando os trabalhadores. É pressão, é xingamento, é muita humilhação sobre os companheiros.”

- Esse chefete pensa que é o bamba, mas bamba está tua corda se não abrir os olhos. Se toca lambe-botas da Usiminas.

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“Zé, tem gerente que se acha o maior. O tal do Zeca Diabo vive falando que manda e desmanda e agora está obrigando os trabalhadores da operação e do controle ferroviário a fazer o trabalho de segurança.”

- Esse chefete, que é gerente geral da manutenção, se junta com o gerente do ferroviário, tira trabalhadores do setor, sobrecarregando quem fica. São dois lambe-botas da Usiminas.

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“Zé, na maioria das áreas tem água parada acumulada, é criadouro de larvas de mosquito pra todo lado.”

- Isso porque o lema da Usiminas é o tal ”fazer melhor sempre”. O melhor sempre é para os acionistas que comemoram seus lucros. Enquanto isso, os trabalhadores que garantem o lucro, estão expostos à péssimas condições de trabalho que levam ao adoecimento. Vai mais uma denúncia para a Vigilância Sanitária.

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“Zé, o tal de Barriga, supervisor da laminação à frio vive pegando no pé de todo mundo. Humilha os trabalhadores na laminação e os que trabalham na Ormec e exige cada vez mais produção.”

- Esse lambe-botas da Usiminas é tão sacana que chega a dizer que pra ele ninguém presta, só ele. Se toca assediador de plantão, sua batata está mais do que assada.

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